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Capitulo 1 - Eu era apenas uma criança.

  • Walk
  • 28 de jul. de 2017
  • 4 min de leitura

Em meados de 2002, mudamos de uma cidade do interior do Maranhão para outra, minha família sempre buscando melhorias, minha mãe com uma visão que o serviço dela melhoraria na outra cidade por ser um tanto maior que a outra que residíamos. Então assim decidimos tentar a vida em um outro lugar, minha mãe queria que eu e minha irmã tivéssemos uma vida melhor onde os estudos eram um “pouco” mais avançados.

Tudo começou em 2003 quando minha Mãe decidiu me colocar em uma escola estadual à várias quadras de onde morávamos, uma recém-chegada, sem nenhuma amizade, boba e muito levada por toda pessoa que se aproximava, ou seja um prato cheio para todas as pessoas cheias de maldade.

Na primeira semana de aula já comecei a receber apelidos, bom para você entender melhor, eu sou cambota, então ando um pouco aberta e isso foi motivo de muita chacota e piada, um dos primeiros apelidos que recebi foi Cowboy viado, não sei se vocês chegaram a ouvir uma música, mas enfim.... Me chamavam de galinha cambota, diziam que até um caminhão ou trem poderiam passar por dentro das minhas pernas, caramba! Eu só tinha 11 anos, e isso era muito doloroso, eu virei chacota por causa do meu próprio andar?? Isso me devastava, todo dia via alguns rindo no momento em que eu passava para ir para sala de aula e eu ouvia eles sussurrando os apelidos.

Com o passar do tempo fui fazendo algumas amizades, amizades que eu sei que não eram verdadeiras, mas eu já não ia me sentir tão sozinha naquela escola.

Como toda boa escola, as vezes tinha aquela briga na hora da saída, as brigas antigamente era apenas falar palavrões, xingar a mãe do outro e pronto, a pessoa era a mais foda da escola, em uma dessas brigas, eu conheci uma menina com o apelido de “pretinha”, Pretinha era conhecida por ser valente, briguenta e do “gueto”, além de ser uma grande jogadora, bom ela era muito foda, Pretinha foi na escola para brigar com uma menina que tinha xingado sua mãe, se não me falho a memória o motivo era esse, a menina era da minha sala, então eu como uma boa amiga quis intervir, fui falar com a pretinha e não é que daí surgiu uma grande amizade? Pois é, conversa vai e conversa vem, comecei a ser amiga de Pretinha, tipo super-amigas mesmo, de fazer tudo juntas, ela virou minha defensora, ninguém mais me apelidava, ninguém mais fazia chacota comigo, bom, isso foi apenas por algum tempo... As pessoas são muito maldosas, então tudo para elas se tornava motivo para falar dos outros, começaram a dizer que Pretinha me defendia porque eu era namorada dela, gente, 11 anos, não tínhamos maldades, éramos crianças, particularmente só queríamos saber de brincar, só que isso começou a ir longe, muito longe...

Lembra da amiga que impedi de ser “agredida” pela Pretinha? Pois é, ela foi umas das que começaram a história e isso se espalhou por toda escola e por onde eu passava me chamavam de sapatão, saboeira, macho e fêmea, tinha tantos apelidos, apelidos muito pesados, eu lembro que uma vez, eu cheguei na sala de aula todos estavam sentados e sorrindo, eu não entendia o porquê de tantos risos, quando olhei para o quadro tinham desenhado um sapato bem grande e dentro dele tinha meu nome, eu fiquei muito abalada, sai da sala e fui correndo para o banheiro chorar, querendo entender porque as pessoas faziam aquilo, depois de muito chorar no banheiro, decidir ir para casa, cheguei em casa, minha mãe percebeu que eu havia chorado e quis saber o que estava acontecendo, então nisso eu fiz um breve resumo de tudo que estava acontecendo até aquele momento, contei que havia me tornado amiga de uma menina e as pessoas começaram a falar de mim por causa dela sem motivo algum, minha mãe então disse que iria lá para saber o que de fato estava acontecendo, acho que ela não acreditou em mim, achou que era muita barbaridade, pois éramos apenas uma sala cheia de crianças.

No dia seguinte como prometido, minha mãe foi à escola conversar com a coordenação e saber a verdade sobre o que estava acontecendo e como é em todas as escolas em que o bullying funciona, nenhum deles tinha conhecimento das coisas que aconteciam ali, mas que a partir daquele momento iam tomar as providencias se isso realmente estivesse acontecendo.

Nossa, eu fiquei muito P da vida... como assim se estivesse acontecendo? Porra, estava acontecendo, eu não sei mais nem o que eu estava sofrendo, porque era tanta coisa, porque nossos pais nunca acreditam na gente de primeira?! Poxa...

No dia seguinte a diretora foi na sala de aula e disse que não ia aceitar esses tipos de coisa na escola dela, nisso ela me chamou até a diretoria e pediu que eu me afastasse de Pretinha para não dá motivo para as pessoas continuarem falando de nós duas. Eu fiquei, Oi?? Como é??

Gente, até onde isso ia?

Que medida era essa?

Vamos supor que por mais que a Pretinha fosse lésbica, nada justificaria eu me afastar dela pela sua opção sexual, certo? Esse era meu pensamento, mas, não era o pensamento da diretora, então o que importava era o que ela queria, mesmo com isso eu não me afastei da Pretinha, mas ela se afastou de mim (aquela vaca)!

Mas uma vez, eu fiquei arrasada. Não achei justo, a amizade que fiz com ela ia além da escola, eu não entendia e como sempre por me apegar muito rápido e acreditar que amigo é coisa sagrada, já não via ela como uma amizade comum, ela era (e ainda é) uma irmã, então na noite do mesmo dia, fui na casa da Pretinha – gente ela morava tipo do outro lado da cidade – tentar entender o porquê de tudo isso ter acontecido.

Fiquei chocada ao descobrir que ela havia acatado as ordens da diretora.

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