Capitulo 3 - A Redenção
- Walk
- 6 de ago. de 2017
- 4 min de leitura
Depois de tudo aquilo ter rolado na escola, eu fiquei meio em dúvida se pretinha havia realmente apanhado, tive muitas dúvidas, mas não fui atrás para saber se era verdade, até porque eu já estava cansada de falarem sobre mim por causa de uma amizade que não valeria mais a pena. Tudo bem, aquela escola era um inferno mesmo, eu via que algumas pessoas ali sofriam com piadas, mas não eram tão intensas iguais às que eu sofria, mas enfim, aguentei tudo isso por anos...
Com o passar de alguns dias vi que pretinha havia retornado para a escola e que algumas coisas estavam diferentes, principalmente o olhar triste dela, eu fingia não me importar, mas no fundo eu me importava sim. Aff
Em uma sexta feira eu recebi uma carta da Pretinha, na carta havia escrito uma música do sorriso maroto que dizia assim: Será que é melhor agora eu ser sincero e falar? Ou será, que é melhor guardar esse segredo e não arriscar? Porque se você se afastar de mim eu vou sofrer, perder sua amizade não vai ser legal, tenho medo de estar confundindo, mas o que eu estou sentindo é especial. Você conhece os meus problemas, meu relacionamento complicado, sabe tudo que penso e o que eu quero, que Deus me perdoe se isso for errado.
Bom, como eu não conhecia a música, eu achei que era uma declaração de amor.
E já sabe né? Isso deu uma merda!
Fui onde pretinha e soltei os cachorros nela, dizendo que por isso o pessoal falava de nós duas, porque ela era sem noção, o que deu nela pra escrever aquilo? Que relacionamento complicado era esse que ela tinha? Geeente!!! kkkkk eu surtei!
Ela veio tentar explicar que era uma música, porém depois da confusão que eu tinha feito e de ir falar algumas coisas para ela, eu quis ser filha da puta com ela, da mesma forma que ela tinha sido comigo, então, peguei a carta e mostrei para todo mundo dizendo o seguinte, (acho que a apaixonada que vocês dizem, não sou eu), KKKKKKKKKKKKKKK.
Quando fiz isso, perdi totalmente a moral, eu sei, sentimento de raiva é a pior coisa, você faz coisa as quais você nem imagina, enfim, Pretinha ficou mal e todos começaram a caçoar dela, por um tempo eu fiquei livre de tudo, porém, por dentro eu estava muito mal de ter feito aquilo, por mais que ela merecesse, eu não deveria ter agido assim.
Ao passar de dois ou três dias pretinha não havia mais frequentado à escola, tudo bem que a gente não se falava, mais eu senti a falta dela, afinal de contas, mesmo com tudo aquilo, para mim ela continuava sendo minha amiga (mesmo sendo doida), então fui atrás de saber algo dela, ninguém sabia nada, então decidi ir na casa dela e acabar logo com todo esse clima ruim que estava entre a gente e pedir desculpas pelo o que eu tinha feito. Na noite do mesmo dia, fui lá, ela estava na porta com alguns amigos e a tia (mãe) que também estava lá ao me ver foi logo me abraçar, querendo saber se eu tinha desculpado a sem vergonha da filha dela, eu disse que sim e comentei logo sobre meu erro também, então ela disse que entendia e esperava que a amizade continuasse, eu disse que tinha ido lá para resolver isso, percebi na hora a cara de surpresa da pretinha, nisso chamei ela para conversar e fomos colocar um ponto nessa história, porque eu gostava muito dela e mesmo com tudo que tinha acontecido, eu sei que podia sair uma amizade verdadeira dali se ela não tivesse mais essa ideia de me testar, até porque qualquer coisa que eu fosse ela deveria ser minha amiga e me apoiar e não cair na onda dos amigos que nem se quer à consideravam da mesma forma que eu considerava ela.
Tudo bem, tudo se resolveu entre nós e passamos dessa vez a não ligar para nada do que falavam, porque depois que ficamos bem, as piadas que começaram a rolar foram “casal inseparável”, “briga, mas não se separa”, “Pretinha tem é mel”, “Walk é da Pretinha”, “o café no leite” bom essas foram algumas das coisas que lembro, porque haviam mais, muito mais.
Só que no momento isso não estava me afetando, pois estava muito preocupada com pretinha, ela andava muito triste e ainda não tinha conversado comigo sobre o que estava acontecendo, então um dia, fomos para uma praça ao lado da escola e lá começamos a conversar. Durante a conversa ela me contou que a tia (mãe) estava doente, e lembro que ela sempre me dizia não se dar muito bem com os irmãos, – eu entendia, porque eu vivia em pau de guerra com a minha irmã também – mas ao perguntar o que a tia tinha ela disse não saber ainda, então falei pra ela que a iria visitar nos dias seguintes, Pretinha concordou, e nesse período que a mãe dela ficou “dodói”, foi a época em que mais nos aproximamos e eu sabia que ela precisava muito de mim, então fiz o que pude e o que não pude para estar do lado dela, afinal, amiga é pra isso não é?
Enfim, com o passar dos dias Pretinha me dizia que a mãe dela não tinha melhoras e que talvez seria necessário internar, mas antes da tia ser internada, eu fui visita-la em sua casa. Lembro como se fosse hoje ela me dizendo: “Minha filha, cuida da pretinha quando eu não estiver mais aqui”, eu disse, “tia, que isso a senhora vai ficar boa, não se preocupa, e eu vou cuidar dela sim, minha família é a família dela também”, quando sai do quarto onde a tia estava, não me controlei e chorei, pretinha viu e perguntou se tinha acontecido algo, eu disse que não, apenas tinha ficado triste com a situação.
Alguns dias se passaram e a tia faleceu, nossa, fiquei muito mal, mas sabia que pretinha precisava de mim mais do que nunca, então uma nova história começava ali.



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